segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

A jovem 'geração Prozac' em busca de identidade

Nos Estados Unidos, cada vez mais adolescentes tomam antidepressivos. Isto não é isento de consequências para o seu desenvolvimento, explica um jornalista com historial de fármacos.




Quando entrei para a universidade, no final da década de 1990, havia antidepressivos por toda a parte. O Prozac era capa das revistas e começavam a ser transmitidos na televisão os primeiros anúncios de Paxil [nome sob o qual é comercializada a paroxetina nos Estados Unidos].

A meio do primeiro semestre, tive um forte ataque de ansiedade e fui parar ao centro de saúde da cidade universitária, lavada em lágrimas, manifestando sentimentos de pânico e de desespero ao novo psiquiatra. Dado o ambiente que se vivia na época, não me surpreendeu ser mandada para casa ao fim de poucos minutos, com uma receita e várias caixinhas de papelão cheias de bonitos comprimidos azuis, amostras grátis oferecidas à universidade pelo representante de um laboratório.

O psiquiatra não me propôs nenhum tipo de psicoterapia, limitou-se a pedir que lá voltasse de vez em quando para se certificar de que as pílulas eram eficazes. E foram: as angústias desapareceram num piscar de olhos e as lágrimas secaram como se tivessem fechado uma torneira. Em breve, sentia-me mais sociável do que nunca.

Tratamentos intensos e precoces

Quando comecei a tomar antidepressivos, não conhecia ninguém da minha idade que os tomasse. Alguns anos mais tarde, a tendência inverteu-se radicalmente. Entre 1990 e 2000, os antidepressivos e outros tratamentos psiquiátricos tornaram-se comuns.

Hoje, nos Estados Unidos, prescrevem-se aos jovens tratamentos cada vez mais intensos e mais cedo. Os antidepressivos são frequentemente ministrados sem interrupção durante anos a crianças e adultos com perturbações de hiperatividade e défice de atenção (PHDA). E assim surgiu uma nova geração de jovens que viveu mais tempo sob tratamento do que sem ele.

Segundo o National Center for Health Statistics (NCHS) [Centro Nacional de Estatísticas da Saúde], 5% dos norte-americanos entre os 12 e os 19 anos tomam antidepressivos e 6% fazem tratamento para a PHDA, o que representa um total de quatro milhões de jovens.

Cerca de 6% dos cidadãos com idades entre 18 e 39 anos tomam antidepressivos, frequentemente prescritos a longo prazo. Os centros de controlo e prevenção de doenças calculam que 62% dos norte-americanos com mais de 12 anos que tomam antidepressivos o façam durante, pelo menos, dois anos e 14% os tomem há dez ou mais anos.

E nem todos os pacientes têm acompanhamento médico. Segundo o NCHS, só menos de um terço das pessoas de todas as idades que tomam antidepressivos teve consulta com um especialista em saúde mental há menos de um ano.



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